Essa eu tinha que contar, já que faz parte da minha experiência de morar sozinha.
No feriado de 21 de abril, alguns parentes de Bauru foram passear na casa dos meus pais, que fica em Praia Grande, SP. Na volta, decidi pegar carona com o povo na hora de voltar para São Paulo. Saímos 15:30, então a idéia era chegar com o dia ainda claro, mas adivinha? Estava um super trânsito. Eles me deixaram na Av. Bandeirantes, embaixo da ponte que passa o metrô (entre as estações São Judas e Conceição). Foi aí que comecei a ficar com medo.
Primeiro que eu comecei a andar e não tinha pedestre, só carros. Aí fui em direção a alça de acesso que os carros usam para subir na avenida. Esse passagem rodeia uma praça super escura. Estava com medo, nada de pedestre pelo caminho, e eu me sentindo naqueles filmes de suspense, onde você tem a sensação de que algo ainda vai acontecer, sabe? Do nada, num momento em que não estava passando carro, alguém joga um pneu na minha direção, diretamente de cima do morrinho que tinha do outro lado da rua. Pensei "Agora danou-se" e comecei a correr que nem louca, mas ainda escutei alguém falando “ó a mina correndo” e dando uma risadinha sarcástica.
Cheguei na avenida não sei como (estava quase botando os pulmões para fora), só que continuava sem pedestre nenhum para perguntar onde era o metrô. Aí decidi andar para um dos lados e, quando cheguei na esquina, do nada surgiu um cara. Decidi perguntar para ele onde eu estava, que avisou que o metro mais perto era do lado oposto de onde eu estava indo (São Judas), e saiu andando. Pensei “Se fosse assaltante já tinha assaltado” e perguntei se podia acompanhá-lo e ele concordou. Ainda bem...cruzamos com dois tipos super estranhos no trajeto. Foi muito surreal...o cara comentou que morava na região e que estava indo até perto do metrô encontrar lugar para jantar. Dali a pouco ele começou a falar que aquela área era muito perigosa mesmo. Comentou também que gostava de andar na cracolândia, mas só para observar nada de mais. No final, cheguei sã e salva, mas passei um super medão!
Minha amiga Camilão se acabou de rir na parte em que eu me senti super segura ao circular com um cara, que nunca vi na vida, que fala para mim que costuma ir na cracolândia “só para dar uma olhada”.
Pois é, eu tinha que me virar para sair dessa. Perrengues de quem anda sozinha por aí.

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